1 de nov. de 2012

O PARAISO EXISTE SOMENTE QUANDO ELE É RECUPERADO



O ser humano pode viver de duas maneiras: a natural e a não-natural. A não-natural exerce grande atração, pois é nova, não-familiar e aventureira. Daí, toda criança deve deixar sua natureza e penetrar na não-natureza.

Nenhuma criança pode resistir a esta tentação; resistir a ela é impossível. O paraíso deve ser perdido, e a sua perda está embutida; ela não pode ser evitada, ela é inevitável.

E, é claro, somente o ser humano pode perdê-la. Este é o êxtase e a agonia do ser humano, o seu privilégio, a sua liberdade — e a sua queda.

Jean-Paul Sartre está certo quando diz: "O ser humano está condenado a ser livre". Por que "condenado"? Porque, com a liberdade, surge a escolha — a escolha de ser natural ou não.

Quando não há liberdade, não há escolha. Os animais ainda existem no paraíso; eles nunca o perderam, mas, devido a isso nunca ter acontecido, eles não podem estar conscientes dele e não podem saber onde estão.

Para saber onde se está, primeiro deve-se perder o lugar. É assim que o saber se torna possível — ao se perder.

Conhece-se uma coisa somente quando ela é perdida. Se ela nunca foi perdida, se ela sempre esteve presente, naturalmente ela é tomada como garantida; ela se torna tão óbvia que a pessoa se esquece dela.

As árvores, as montanhas e as estrelas ainda estão no paraíso, mas elas não sabem onde estão; somente o ser humano pode saber. Uma árvore não pode se tornar um Buda — não que haja alguma diferença entre a natureza interior de um Buda e a de uma árvore, mas uma árvore não pode se tornar um Buda. A árvore já é um Buda! Para se tornar um Buda, a árvore primeiro deve perder a sua natureza, deve se afastar dela.

Você pode ver as coisas somente de uma certa perspectiva. Se você estiver muito próximo delas, você não pode vê-las. Aquilo que Buda viu nenhuma árvore jamais viu... está disponível às árvores e aos animais, mas somente Buda fica consciente dele — o paraíso é recuperado.

O paraíso existe somente quando ele é recuperado. As belezas e os mistérios da natureza são revelados somente quando você retorna ao lar. Quando você vai contra sua natureza, quando você se distancia de você mesmo, somente então um dia a jornada de volta principia.

Quando você fica sedento pela natureza, quando você começa a morrer sem ela, você começa a retornar.

Esta é a queda original. A consciência do ser humano é a sua queda original, seu pecado original. Mas sem o pecado original não há possibilidade de um Buda ou de um Cristo.

Osho, em "Vá Com Calma

 

29 de out. de 2012

Moralidade



Bodhidharma... transcende em muito os moralistas, os puritanos, as assim chamadas "boas pessoas", os "fazedores do bem".

Ele chegou à verdadeira raiz do problema. A menos que a consciência desperte em você, toda a sua moralidade é falsa, toda a sua cultura é apenas uma camada muito fina que pode ser destruída por qualquer um.

Mas, uma vez que a sua moralidade seja fruto da sua consciência, não de uma certa disciplina, então, é coisa inteiramente diferente.

Nessa condição, você responderá a cada situação a partir da sua consciência. E o que quer que você faça será bom.

A consciência não é capaz de fazer nada que seja ruim. Esta é a beleza suprema da consciência: qualquer coisa que surja dela é simplesmente bela, simplesmente correta, e isso sem nenhum esforço, sem nenhum treinamento.

Assim, em vez de podar folhas e galhos, corte a raiz. E para cortar a raiz, não existe caminho alternativo além de um único método: o método de manter-se alerta, de estar percebendo o que acontece, de estar consciente.

Osho, em O Taro Zen

 

21 de out. de 2012

CONSTELAÇÃO FAMILIAR O QUE É.


 
CONSTELAÇÃO FAMILIAR

Constelação Familiar é um trabalho terapêutico, fenomenológico e filosófico que foi desenvolvido pelo psicoterapeuta pedagogo Bert Hellinger.

E um processo de terapia breve e que pode ser elaborado ou praticado individualmente ou em grupo. Quando é individualmente, o cliente traz a sua questão ou tema, e o facilitador constelador utiliza como ferramentas de trabalho bonecos ou papeis para a representação simbólica  da  interpretação e leitura da questão.

Quando o atendimento se dá em um grupo, a questão do cliente é exposta pelo mesmo e naquele  momento os participante da vivencia, poderão ser solicitados a participar da representação temática, e que irão constelar também as suas questões.

O objetivo da Constelação Familiar é trazer a tona, questões, atitudes, pensamentos, doenças, ações, medos etc... muitas vezes inconscientes, imperceptíveis, situações que precisão ser mudadas e que não conseguem ser feitas.

No trabalho de Constelação tanto individual, como em grupo, forma-se um campo de força que é chamado simbolicamente de movimento da alma. É nesse campo energético que  os bloqueios inconscientes, de nossos pais, de nossa ancestralidade, de nos mesmos e outros tantos assuntos que fazem parte das nossas vidas ou fizeram parte da vida dos familiares que perduram ainda hoje, vem para a superfície e se mostram consciente.

Nesse processo terapêutico que foi desenvolvido, aparece essa dinâmica escondida e torna-se ampliada, fazendo com que o cliente tome ciência e possa ter uma reconciliação ou resolução das suas dificuldades.

Desta maneira, quando o individuo se liberta das identificações do passado e com familiares a situação oculta fica consciente de si, dando a sua melhora e a cura torna-se mais acelerada.

Qualquer tema pode ser constelado desde desequilíbrios emocionais sem causa aparente, separações, doenças crônicas, desordem financeira, vida profissional, entre outros muitos temas

Ismenia Woyame

 

14 de out. de 2012

TRANSTORNO DO PÂNICO


       Transtorno do Pânico

Podemos afirmar que o Transtorno do Pânico caracteriza-se como ocorrências de crises de forte ansiedade e medo. Elas se manifestam de maneira intensa repentinamente e costumam provocar no individuo sensação de mal estar mental e físico, vontade de sair do lugar onde se encontra e muitas vezes sensação de medo de morrer
O pânico é uma reação normal de que se apresenta às pessoas e serve como alerta de fuga de situações de perigo como catástrofes, acidentes, incêndio, etc.  Quando o pânico se manifesta sem que se tenha uma causa especifica ele fica caracterizado como patológico e a isso chamamos de transtorno do pânico.

Para que possamos caracterizar como transtorno do pânico, é necessário que a pessoa apresente alguns dos critérios relacionados abaixo.

1.   Que a ocorrência dos ataques tenha repetições, que podem ser semanais, mensais, e às vezes até diárias.

2.   Que dos sintomas relacionados a seguir, pelo menos quatro devem estar presente.

             a)   Aceleração da freqüência cardíaca;

b)   Sudorese nas mãos e nos pés;

c)    Tremores nas mãos ou em todo o corpo;

d)   Sensação de desmaio

e)    Náuseas;

f)     Tonteiras;

g)    Dores do peito (que muito acham que estão tendo ataque cardíaco)

h)   Medo de perder o controle, ou medo de enlouquecer;

i)     Medo de morrer.

j)     Ondas de calor ou de arrepios.

Não existe uma causa especifica cientificamente que possa ser diagnosticada como causadora desse transtorno. Eles simplesmente se apresentam. Quando isso acontece é necessário que a pessoa procure um profissional competente para ajudá-lo.  Geralmente a pessoa necessita de um médico psiquiatra (para um acompanhamento medicamentoso) e um psicólogo para o tratamento emocional.

Algumas vezes, esses sintomas se apresentam depois da pessoa passar por traumas intensos. Não se tem um numero estatístico, mas, é bastante expressiva a quantidade de pessoas que tem apresentado esse transtorno com uma incidência maior nas mulheres (dois para um) e na faixa etária de 30 anos, podendo ainda acontecer na infância e também na velhice.

O tempo de duração do transtorno de pânico se a pessoa não procurar ajuda é imprevisível e pode durar anos levando a outras comorbidades como depressão e outras fobias sociais.
O importante é que a pessoa que apresentar esse transtorno procure ajuda de profissionais competentes e não se feche no seu mundo, com vergonha do que as pessoas possam pensar a seu respeito. Os familiares e as pessoas próximas muitas vezes desinformadas nem sempre entendem o que se passa com pessoa e fazem criticas severa a respeito.

Portanto, se você ou alguém próximo estiver apresentando alguns dos sintomas citados procure ajuda de um médico psiquiatra ou de um psicólogo, pois eles saberão como proceder nessas situações.

Ismenia Woyame

12 de out. de 2012

FELICIDADE


Felicidade ou Infelicidade

Felicidade ou infelicidade não são dependentes de circunstâncias externas. Não há nem felicidade nem infelicidade nas coisas externas; seu estado de alegria ou de tristeza depende de sua reação a essas coisas externas. Na verdade, as coisas não importam; o que importa é a sua visão das coisas; tudo depende de como olhamos as coisas.

Assim, em suma, a importância é do indivíduo, e não do objeto: a importância está em você e não no objeto que você possui. Daí que podemos dizer que a felicidade ou a infelicidade reside dentro de nós. Epictectus disse: “Se você está infeliz, saiba com certeza que você é a causa disso.” Eu diria a mesma coisa. Nós somos a causa de nossa miséria,  porque seja de que forma estejamos, nós mesmos criamos essa condição. .

Tenha esta verdade em sua mente, porque você não pode transformar a sua vida sem ela: se você se sente infeliz, saiba que alguma coisa está errada em seu ponto de vista. Uma vida miserável é resultado de uma maneira errada de olhar para as coisas; e uma vida feliz é o resultado de uma abordagem correta em relação à vida. Por favor, sempre que você se sentir miserável, tente buscar pela causa da sua infelicidade dentro de você, não do lado de fora. E então, gradualmente, você descobrirá as causas da sua infelicidade, escondidas em suas próprias reações. Então, uma nova vida começa para você.

"Osho"

8 de out. de 2012

GESTALT TERAPIA


Gestalt terapia

A Gestalt terapia é uma abordagem psicoterapêutica, baseada na tomada de consciência e da experiência do ser humano com seu Eu, de uma maneira generalizada e concreta.

Esta tomada de consciência dirige-se tanto para o que se passa dentro como fora do indivíduo e acontece tanto a nível corporal, mental, emocional, como também nos seus relacionamentos com a família, amigos e trabalho. Esse processo de tomada de consciência, também denominado de Awareness, é um sistema que podemos considerar como a ampliação da consciência do ser humano, e que é a metodologia por excelência da Gestalt terapia.

É através do processo da Awareness e de seu próprio funcionamento que a pessoa expressa e pensa, através de sua postura corporal, comportamentos, atitudes, modos de agir, como se bloqueia, como se apresenta e como respira. Assim, podemos identificar no geral como o sujeito se percebe ou como se apresenta no presente, no Aqui e Agora.

A finalidade principal desta abordagem terapêutica é a obtenção do contato do indivíduo consigo mesmo e com o seu meio ambiente, através do processo de regulação homeostática. Esse processo de homeostase é um mecanismo de auto-regulação do organismo total do sujeito, em que as trocas realizadas com seu EU e com o seu ambiente lhe possibilitam a manutenção do equilíbrio físico, psíquico e social.

Para que este processo de auto-regulação ou ajustamento interno ocorra, é necessário que o indivíduo tome consciência das suas necessidades a experienciar, e saber em que nível fisiológico, afetivo e social está. Esse dado é muito importante para que se desenvolva a referida Awareness no Aqui e Agora.

Quando o indivíduo interrompe o contato com o ambiente e com seus relacionamentos pessoais começa o processo de não satisfação das suas necessidades o que o leva ao desequilíbrio, desde o desajuste mais fisiológico até perturbações da personalidade.

É neste âmbito que se encontra o alvo de intervenção da Gestalt terapia que visa a integração psíquica e social permitindo ao indivíduo adquirir um desenvolvimento da responsabilidade sobre a sua própria experiência e tornando-se cada vez mais autônomo e levando-o a  entrar em contato consigo mesmo.
Ismenia Woyame

Desindentifique-se de seus pensamentos


Desidentifique-se de seus pensamentos

 
 
Feche seus olhos, então focalize ambos os olhos bem no meio das duas sobrancelhas, como se você estivesse olhando lá com os seus dois olhos. Dê total atenção a isso.

No ponto certo, subitamente seus olhos ficarão fixos. E se a sua atenção estiver lá, você irá experienciar um estranho fenômeno:
pela primeira vez você verá pensamentos passando diante de você; você se tornará uma testemunha. É como uma cena de um filme: pensamentos passando e você é uma testemunha.

Geralmente você não é a testemunha, você
fica identificado com pensamentos. Se a raiva está lá, você fica raivoso. Se um pensamento lhe move, você não é a testemunha; você se torna um com o pensamento, identificado, e você se move junto com ele. Você se torna o pensamento; você toma a forma do pensamento.

Quando sexo aparece, você se torna sexual, quando aparece a raiva, você fica raivoso, quando a ambição aparece, você se torna ambicioso. Qualquer pensamento que se mova
se torna identificado com você; não há nenhum intervalo entre você e o pensamento.

Mas focalizado no terceiro olho,
subitamente você se torna a testemunha. Através do terceiro olho você pode ver os pensamentos passando como nuvens no céu ou como pessoas transitando pelas ruas.

Osho, em "The Book of Secrets


27 de set. de 2012

Há algo mais... Um Amor... Uma Luz



Há algo mais... Um Amor... Uma Luz

Wagner Borges
 
"Para quem ama,
Há outros mundos e outras terras...
Dentro do próprio coração.

Para quem vê além,
Há outras luzes e outras cores...
Que são vistas, mesmo de olhos fechados.

Para quem ora pelo bem do mundo,
Há outros sentimentos além dos seus...
Que descem do Céu como fogo vivo.

Para quem escuta a voz do silêncio,
Há sussurros espirituais na noite...
Que falam da imortalidade da consciência.

Para quem reconhece o próprio espírito,
Há algo mais... Um Amor. Uma Luz...
E aquela Paz - que não é desse mundo.

Para quem voa espiritualmente,
Há uma Alegria que se apresenta naturalmente...
Quando se percebe que "há muitas moradas na Casa do Pai".

Para quem se atreve a vencer a si mesmo,
Há sempre uma estrela prânica** sobre sua cabeça...
E novas luzes em sua jornada espiritual.

Para quem ri do próprio ridículo,
Há sempre uma grande lição de sabedoria...
A de que é bom não se levar tanto a sério.

Para quem medita,
Há a percepção de sons sutis...
Dentro dos próprios chacras***.

Para quem se admira com a imensidão da vida universal,
Há algo mais... Uma outra imensidão - em seu coração...
Sim, algo que não se explica, só se sente.

Para quem lê essas linhas - em Espírito e Verdade,
Há algo mais além das palavras... Um Amor. Uma Luz.
E quem ama, realmente compreende.

P.S.:
Ah, quem me dera ter o poder de fazer o Amor acontecer...
Fazer a Espiritualidade curar a dor da saudade.
Fazer ouvir a canção das esferas no coração.
Fazer o véu da ignorância cair...
Fazer ver estrelas além das nuvens.
Fazer a tristeza de alguém ir embora...
Fazer o discernimento lavar a alma e erradicar o luto.
Fazer, simplesmente, algo mais... Um Amor. Uma Luz.
Fazer ser feliz!... "

- Wagner Borges

 

24 de set. de 2012

A simbologia do Oráculo da Lua


A LUA

         O caminho desta lâmina é pela emoção interna, portanto, precisamos estar atento ao mundo exterior, pois é dele que as emoções nos chegam. Podemos dizer que a Lua está intimamente ligada ao universo feminino com suas fases e ciclos de altos e baixos. Esse universo ambíguo não racional, instintivo, intuitivo, muitas vezes profundo e sombrio, emotivo, medroso, sonhador, mas não menos realista frio, calculista, porém justo e apaixonável.
          As fases da lua têm poderes em todas as culturas, civilizações, filosofias e crenças, são sinalizadores para cerimônias, ritos e cultos.  Elas são importantes no plantio e na colheita, nas marés e muitas vezes nas variações dos sentimentos e emoções humanos e até no processo de gestação e nascimento.

       A Lua nova é o novo, o desconhecido, são as expectativas. O que muitas vezes nos causa ansiedade por desconhecermos o que está por vir.
        A Lua crescente é o que está no desenvolvimento, no crescimento é o amadurecimento e que precisa está preparado para acompanhar esse processo.
       
       A Lua Cheia é o ápice tudo já está pronto, pleno. É o tudo ou nada ou nos entregamos às emoções ou fugimos e não aceitamos.

       A lua minguante é a necessidade de findar, deixar ir para que um novo ciclo se apresente. Precisamos aprender a lidar com as perdas, às vezes com o abandono por vezes com o medo desse desconhecido, mas que faz parte do novo ciclo que se inicia.
   
       A figura desta Lâmina no Oráculo Cigano apresenta a imagem da lua com sua exuberante claridade que se fundem com o horizonte. Outras lembram uma penumbra da Lua na paisagem noturna como um vislumbre. Tal como nossos sentimentos e emoções.
         Podemos interpretar em vários oráculos, como uma pausa na nossa existência.  A figura de um pastor descansando junto ao seu rebanho, tendo a lua como pano de fundo metaforicamente é como se precisássemos parar e pensar nos caminhos da vida.

        No Tarô, podemos fazer uma leitura semelhante em alguns pontos. Ao analisarmos Este Arcano, a figura nos remete as mais profundas emoções às boas e más e, as nossas expectativas dependendo da situação.
        
          A lâmina mostra a gravura da lua e de um portal que nos remete ao desconhecido, e que, guardado por dois cães em várias situações são como os nossos sensores, os nossos guardiões. Logo abaixo, a beira de um lago onde um solitário lagostim observa as águas ao seu redor  águas  simbolizam os sentimentos e suas dualidades, o consciente e o inconsciente, o ativo e o passivo, o bem e o mal e o lagostim que alguns interpretes caracterizam como o símbolo da psique a observar a busca por novos paradigmas. Essa dualidade são as nossas verdades simbolizadas pelas emoções e o sentido de mudança, os ganhos e as perdas, as alegrias e as tristezas, nossas buscas pela felicidade o encontro da matéria com o espírito.

           Depois de ultrapassarmos as mais profundas emoções e reflexões noturna renasce o dia e o Sol brilha para um novo ciclo.  
Ismenia Woyame



 

 
 

23 de set. de 2012

Carl G. Jung e as Funções Psicológicas

...continuação
Jung e Funções Psicológicas:

Pensamento: Jung via o pensamento e o sentimento como maneiras alternativas de elaborar julgamentos e tomar decisões. O pensamento por sua vez, está relacionado com a verdade, com julgamentos derivados de critérios impessoais, lógicos e objetivos. As pessoas nas quais predomina a função do Pensamento são chamadas de Reflexivas. Esses tipos reflexivos são grandes planejadores e tendem a se agarrar a seus planos e teorias, ainda que sejam confrontados com contraditória evidência.

Sentimento: Tipos sentimentais são orientados para o aspecto emocional da experiência. Eles preferem emoções fortes e intensas ainda que negativas, a experiências apáticas e mornas. A consistência e princípios abstratos são altamente valorizados pela pessoa sentimental. Para ela tomar decisões deve ser de acordo com julgamentos de valores próprios, como por exemplo, valores do bom ou do mau, do certo ou do errado, agradável ou desagradável, ao invés de julgar em termos de lógica ou eficiência, como faz o reflexivo.

Sensação: Jung classifica a sensação e a intuição juntas, como as formas de apreender informações diferentemente das formas de tomar decisões. A sensação se refere a um enfoque na experiência direta, na percepção de detalhes, de fatos concretos. A Sensação reporta-se ao que uma pessoa pode ver, tocar, cheirar. É a experiência concreta e tem sempre prioridade sobre a discussão ou a análise da experiência. Os tipos sensitivos tendem a responder à situação vivencial imediata, e lidam eficientemente com todos os tipos de crises e emergências. Em geral eles estão sempre prontos para o momento atual, adaptam-se facilmente às emergências do cotidiano.

Intuição: É a forma de processar informações em termos de experiência passada, objetivos futuros e processos inconscientes. As implicações da experiência (o que poderia acontecer, o que é possível) são mais importantes para os intuitivos do que a experiência real por si mesma. Pessoas fortemente intuitivas dão significado às suas percepções com tamanha rapidez que, via de regra, não conseguem separar suas interpretações conscientes dos dados sensoriais brutos obtidos. Os intuitivos processam informação muito depressa e relacionam, de forma automática, a experiência passada com as informações relevantes da experiência imediata.

         Para o individuo, uma combinação das quatro funções resulta numa abordagem equilibrada do mundo. Jung descreve: “A fim de nos orientarmos, temos que ter uma função que nos assegure de que algo está aqui (sensação); uma segunda função que estabeleça o que é (pensamento); uma terceira função que declare se isto nos é ou não apropriado, se queremos aceita-lo ou não (sentimento); e uma quarta função que indique de onde isto veio e para onde vai (intuição)” (Jung, 1942, p. 167).

Entretanto, ninguém desenvolve igualmente bem todas as quatro funções. Cada pessoa tem uma função fortemente dominante, e uma função auxiliar parcialmente desenvolvida. As outras funções são em geral inconscientes e a eficácia de sua ação é bem menor. Quanto mais desenvolvida e consciente forem as funções dominante e auxiliar, mais profundamente inconsciente serão seus opostos.
Ismenia Woyame
 

20 de set. de 2012

Carl G. Jung e Os Sistemas Isolados


continuação.

Jung e os Sistemas Isolados

 

Ego: É o centro do consciente. É a mente consciente. É constituído por percepções, memórias, pensamentos e sentimentos conscientes. O ego forma uma unidade coesa para transmitir impressão de continuidade e de identidade consigo mesma. Os processos psíquicos (conteúdos psíquicos) que não entretêm relações com o ego constituem o domínio imenso do inconsciente.

Inconsciente Individual: É a região adjacente ao ego. As fronteiras são imprecisas. É constituído por experiências que foram reprimidas, esquecidas, suprimidas ou experiências que foram fracas demais para marcar a consciência do indivíduo. Recordações penosas de serem lembradas e também traços de acontecimentos ocorridos durante o curso da vida e perdidos pela memória consciente. No inconsciente Individual encontramos os complexos.

Os complexos são grupos de representações carregadas de forte potencial afetivo, incompatível com a atitude consciente e envolvem sentimento, pensamento, percepções, memória. É também o nosso lado negativo que tentamos ocultar.

Esses elementos, embora não estejam em conexão com o Ego, nem por isso deixam de ter atuação e de influenciar os processos conscientes, podendo provocar distúrbios, tanto de natureza psíquica quanto de natureza somática. Para Jung a via régia para o inconsciente não é o sonho e sim o complexo. “O processo associativo foi tomado como ponto de partida. Jung demonstrou que as perturbações que ocorriam no teste de associação de palavras eram da natureza interna da psique e provinham de uma esfera situada fora da vontade objetiva do consciente e que esta esfera só se apresentava quando a atenção ia se enfraquecendo.” (p.17 Jacobi)

Cada complexo é constituído de:

·         Um elemento nuclear ou portador de significado;

·         Associações ligadas ao elemento nuclear – o núcleo tem o poder de atração ou faz girar em torno de si várias experiências.

Os complexos podem ser capazes de fazer aberta oposição ás intenções do ego consciente; de romper a sua unidade; de se separar e de comportar como um corpo estranho na esfera do consciente.

Para Jung, tamanha é a força dos complexos que eles nos têm.

Inconsciente Coletivo: É constituído das formas primitivas típicas de vivências e comportamentos da espécie humana, isto é, “pura e simplesmente da possibilidade herdada de um funcionamento psíquico”.

Enquanto o inconsciente pessoal é composto de conteúdos cuja existência decorre de experiências individuais, os conteúdos que constituem o inconsciente coletivo são impessoais, comuns a todos os homens e transmitem-se por hereditariedade.

Os arquétipos: São possibilidades herdadas para representar imagens. São formas instintivas de pensar. Um arquétipo é uma forma universal de pensamento (idéia) que conte um grande elemento de emoção.

Exemplo de arquétipos: nascimento, morte, herói, filho, Deus.

Como se origina um arquétipo? Ele é um depósito mental permanente de uma experiência que foi repetida constantemente por muitas gerações. Os arquétipos não são necessariamente isolados uns dos outros no inconsciente coletivo. Eles se interpenetram e fundem-se. Exemplo: o arquétipo do herói e o arquétipo do velho sábio podem-se fundir para produzir a concepção do “rei filósofo”, uma pessoa respeitada por ser simultaneamente um líder herói e um visionário sábio.

Persona: É uma mascara adotada pela pessoa em respostas ás demandas das convenções e das tradições sociais e às suas próprias necessidades arquetípicas interna. É a forma como nos apresentamos ao mundo. A persona inclui: nossos papeis sociais, nosso estilo de expressão pessoal. Tem aspectos negativos e positivos.

A Anima e o Animus: É reconhecido e aceito que o ser humano é essencialmente um animal bissexual. A nível psicológico, as características masculinas e as femininas são encontradas em ambos os sexos

Jung atribui o lado feminino da personalidade do homem e o lado masculino da personalidade da mulher a arquétipo que ele chamou de anima o arquétipo  feminino do homem e de animus o arquétipo masculino na mulher.

Tais arquétipos não só fazem com que cada sexo manifeste características do outro sexo, mas tam´bem agem como imagens coletivas que motivam cada sexo a responder aos membros do outro sexo e a compreende-los. O homem apreende a natureza da mulher por meio de sua anima, e a mulher apreende a natureza do homem através de seu animus.

A Sombra:  É o centro do Inconsciente Pessoal, o núcleo do material que foi reprimido da consciência. A sombra inclui aquelas tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas pelo indivíduo como incompatíveis com a Persona e contrárias aos padrões e idéias sociais. Quanto mais forte for nossa Persona, e quanto mais nos identificamos com ela, mais repudiaremos outras partes de nós mesmos. A sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Em sonhos, a Sombra frequentemente aparece como um animal, um anão, um vagabundo ou qualquer outra figura de categoria mais baixa.

Em seu trabalho sobre repressão e neurose, Freud concentrou-se de início, naquilo que Jung chama de Sombra. Jung descobriu que o material reprimido se organiza e se estrutura ao redor da Sombra, que se torna, em certo sentido, um Self negativo, a Sombra do Ego. A sombra é, via de regra, vivida em sonhos como uma figura escura, primitiva, hostil ou repelente, porque seus conteúdos foram violentamente retirados da consciência e aparecem como antagônicos à perspectiva consciente. Se o material da Sombra for trazido à consciência, ele perde muito de sua natureza de medo, de desconhecido e de escuridão.

A sombra é mais perigosa quando não é reconhecida pelo seu portador. Neste caso, o indivíduo tende a projetar suas qualidades indesejáveis em outros ou a deixar-se dominar pela Sombra sem o perceber. Quando mais o material da Sombra tornar-se consciente, menos ele pode dominar. Entretanto, a Sombra é uma parte integral de nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada. Uma pessoa sem Sombra não é uma pessoa completa, mas uma caricatura bidimensional que rejeita a mescla do bom e do mal e a ambivalência presente em todos nós. Cada porção reprimida da Sombra representa uma parte de nos mesmos. Nós nos limitamos na mesma proporção que mantermos esse material inconsciente.

À medida que a Sombra se faz mais consciente, recuperamos partes previamente reprimidas de nós mesmos. Além disso, a Sombra não é apenas uma força negativa na psique. Ela é um depósito de considerável energia instintiva, espontaneidade e vitalidade, e é a fonte principal de nossa criatividade. Assim como todos os Arquétipos, a Sombra se origina no Inconsciente Coletivo e pode permitir acesso individual a grande parte do valioso material inconsciente que é rejeitado pelo Ego e pela Persona.

No momento em que acharmos que a compreendemos, a Sombra aparecerá de outra forma. Lidar com a Sombra é um processo que dura a vida toda, consiste em olhar para dentro e refletir honestamente sobre aquilo que vemos lá.

O Self:  Em seus primeiros textos, Jung considerava o self como equivalente à psique ou á personalidade total. Entretanto, quando começou a explorar As fundações raciais da personalidade, e descobriu os arquétipos, ele encontrou um que representava o anseio humano de unidade. Esse arquétipo expressa-se por meio de diversos símbolos, e o principal  deles é a mandala ou o círculo mágico. Em seu livro Psicologia e Alquimia, Jung, desenvolve uma psicologia da totalidade baseada no símbolo da mandala. O principal conceito dessa psicologia da unidade é o self.

O self é o ponto central da personalidade, em torno do qual todos os outros sistemas estão constelados. Ele mantém esses sistemas unidos e dá à personalidade unidade, equilíbrio e estabilidade.

“ Se imaginarmos a mente consciente com o ego como seu centro, como estando oposto ao inconsciente, e acrescentarmos agora ao nosso quadro mental o processo de assimilar o inconsciente, podemos pensar nessa assimilação como uma espécie de aproximação do consciente e do inconsciente, em que o centro da personalidade total já não coincide com o ego, mas com um ponto médio entre o consciente e o inconsciente. Esse seria o ponto de um novo equilíbrio, um novo centramento da personalidade total, um centro virtual que, devido à sua posição focal entre o consciente e o inconsciente, garante uma fundação nova e mais sólida para a personalidade.” (Jung, 1945, pág.219)

O self é a meta da vida, uma meta que as pessoas buscam incessantemente, mas raramente alcançam. Como todos os arquétipos, ele motiva o comportamento humano e provoca uma busca de integridade, especialmente pelos caminhos oferecidos pela religião. Cristo e Buda são expressões de arquétipo de Self.

 

 

Atitudes:

Introversão: Os introvertidos concentram-se prioritariamente em seus próprios pensamentos e sentimentos, em seu mundo interior, tendendo à introspecção. O perigo para tais pessoas é imergir de forma demasiada em seu mundo interior, perdendo ou tornando tênue o contato com o ambiente externo. O cientista distraído, estereotipado, é um exemplo claro desde tipo de pessoa absorta em suas reflexões em notável prejuízo do pragmatismo necessário a adaptação.

Extroversão: Por sua vez, se envolvem com o mundo externo das pessoas e das coisas. Eles tendem a ser mais sociais e mais consciente do que acontece à sua volta. Necessitam se proteger para não serem dominados pelas exterioridades e, ao contrário dos introvertidos, se alienarem de seus próprios processos internos.

 

 

14 de set. de 2012

Teoria Analítica Carl G. Jung

cap. 03

Teoria Analítica de Jung

 

Aspecto característico da concepção de Jung sobre o homem:

-          Combinar teleologia com causalidade. Na causalidade o ponto de vista explica o presente em termos do passado, a história individual e a herança genética e na Teleologia o ponto de vista explica o presente em termos do futuro, portanto a combinação das duas formas um quadro completo da personalidade da pessoa. As duas são necessárias para se chegar a esse entendimento, ou seja, o comportamento humano é condicionado não somente pela sua história individual e racial (causalidade) mas, também pelos seus alvos e aspirações (teleologia). O passado como realidade e o futuro como potencialidade.

Características da Teoria.

-          A teoria de Jung caracteriza-se pela forte ênfase que dá aos fundamentos raciais e filogenéticos. O homem nasceu com predisposições, que lhe foram legadas pelos ancestrais. Os fundamentos da personalidade são arcaicos, primitivos, inatos, inconscientes e provavelmente universais.

-          Personalidade é o resultado de forças externas e internas, ou seja, há uma personalidade coletiva, racialmente pré-formada, que atua seletivamente no mundo da experiência e é modificada e elaborada pelas experiências que recebe.

A Estrutura da Personalidade.

-          A personalidade total ou psique compõe de:

a)    Sistemas isolados:

·         Ego.

·         Inconsciente Individual e seus complexos

·         Inconsciente coletivo e seus arquétipos

b)   Atitudes ou orientações da personalidade

·         Introversão 

·         Extroversão.

c)    Funções psicológicas fundamentais

·         Pensamento

·         Sentimento

·         Sensação

·         Intuição

d)   Centro de toda a personalidade

·         Self

 

(continua...)
Ismenia Woyame